Unicef: Portugal deve apostar na humanização do parto

Conquistada uma posição cimeira na saúde materno-infantil, Portugal deve agora apostar na humanização do parto, defende Purificação Araújo, ginecologista e uma das fundadoras da Unicef portuguesa.
Portugal está classificado em dados internacionais como um dos países com menor taxa de mortalidade materna e infantil, realidade que Purificação Araújo considera muito positiva.
Há pouco mais de 30 anos, explicou à Lusa, morriam em Portugal 42,9 em cada 100 mil mulheres por complicações relacionadas com a gravidez e o parto, enquanto a mortalidade infantil era de 38,9 por mil nados vivos.

Os valores de hoje estão muito longe desta realidade.Em matéria de mortalidade infantil, por exemplo, segundo os últimos dados da Unicef, Portugal regista uma taxa de quatro mortes por cada mil crianças com menos de cinco anos, ao mesmo nível de países como a Alemanha, a Dinamarca, Espanha, França, Japão e Noruega.

Já no que respeita a mortalidade materna, a Unicef aponta agora para 8,0 (número anual de mortes de mulheres causadas por complicações decorrentes da gravidez, por 100 mil partos de crianças nascidas vivas).

Segundo Purificação Araújo, Portugal teve uma recuperação «fantástica» em pouco mais de 30 anos.

O problema foi estudado e foram estabelecidas políticas de saúde com objectivos bem definidos.

Os valores de 1975, explicou, eram muito elevados para o nível dos países europeus e nessa altura o sistema de saúde concentrou-se numa estratégia e tomou como prioritário o programa de desenvolvimento da melhoria da saúde materno-infantil.

A implementação de um Sistema Nacional de Saúde, de centros de saúde, de vigilância pré-natal, o aumento dos partos em hospital e o planeamento familiar foram medidas que ajudaram a combater as elevadas taxas de mortalidade materno-infantil registadas em Portugal.

Esta realidade prova, segundo a médica, que com uma aposta assertiva podem ser alterados os valores negativos.

Com a conquista desta etapa na história da saúde materno-infantil, adiantou, falta agora apostar na humanização dos serviços.

«Agora queremos mais qualidade nos serviços, maior humanização do clima técnico de um hospital que passa, por exemplo, pelo acompanhamento por um familiar», disse.

Este é, segundo Purificação Araújo, o caminho certo e não o regresso aos partos em casa como «algumas correntes têm vindo a defender».

«Qualquer parto tem de ser feito num local onde seja assegurado que perante qualquer complicação existe capacidade para uma intervenção cirúrgica rápida», disse.

O perigo em obstetrícia, frisou, surge de um momento para o outro e quando surge é sempre grave.

in diário digital

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