Vais ter um irmãozinho (a)

Quando surge a vontade de ter um segundo filho surge igualmente a dúvida de quando o ter. O primeiro já terá idade para aceitar o irmão, irá compreender, terá ciúmes? Estas e muitas outras questões que os pais colocam só terão resposta depois do nascimento e à medida que vão lidando com as novas situações no dia-a-dia.

Há especialistas que defendem que há uma distância mínima ideal entre irmãos. Assim, segundo Florencio Escandó, a vida fetal tem na realidade uma duração de 33 meses, sendo nove intra-uterinos e 24 extra-uterinos. Ou seja, o ideal é que o segundo filho nasça depois de o primeiro ter completado os dois anos de idade, de contrário é como se tivessem dois filhos em gestação, uma vez que os dois primeiros anos de vida seriam considerados como uma gestação externa. Durante este período de tempo há ainda uma forte dependência da criança em relação à mãe.

A chegada do maninho(a) para o filho mais velho nunca é fácil, começando logo pelo facto de ter sido sempre o centro das atenções dos pais. Não existia um rival. A questão passa por transformar a chegada do elemento à família não numa ameaça, mas num problema com que o filho mais velho é capaz de lidar.

As crianças vêem o recém-nascido de forma diferente de acordo com a idade: os mais pequenos (2 a 4 anos) olham para o bebé como algo em que gostam de tocar para ver que reacções tiram dele, como o meter os dedos nos olhos (tal como o bebé faz com a mãe, lembram-se?). O que para os pais é “não magoes o bebé” para eles é, “deixa lá ver o que ele faz”. É a descoberta!

Os mais crescidos já gostam de assumir o bebé como algo deles, de tentar obter dele as mesmas reacções que os pais provocam: rir, seguir com o olhar. Mas depois destes momentos seguem-se outros em que a criança se sente abandonada pelos pais, que só têm tempo para o bebé, em especial a mãe. Surgem as regressões, nalguns casos querer de novo beber o leite no biberão, querer a chupeta, não querer dormir sozinho, as birras no restaurante. Os pais ficam chateados, até porque já tinham explicado que vinha aí um maninho, e “até ficou tão contente por ter um irmão”.

Mas, afinal o que é isso para a criança? Em princípio, quando lhe contaram imaginou alguém pronto a brincar com ele. Agora que existe, de facto, é alguém que lhe rouba a atenção dos pais.

É uma etapa difícil para a criança, ter de partilhar estas duas pessoas tão importantes com mais alguém. E, mais complicado é entender como é que “ele” consegue a atenção deles. Por isso, é que faz as suas birras, regressões, asneiras, como forma de chamar também a atenção. "Pelo menos assim, notam que existo".

É frequente ouvir os pais chamar a atenção do mais velho: “faz pouco barulho que acordas o bebé”. Ou seja, "por causa dele não posso fazer barulho, brincar, sou castigado". É esta a sensação que fica na criança, de ciúme e abandono.

Uma das coisas que os pais podem fazer é passar, individualmente, mais tempo com o mais velho. Ter um tempo que lhe é só dedicado a ele, sem que o bebé esteja por perto para lhe roubar as atenções, os mimos. Ter umas horas da mãe só para si, numa brincadeira a dois pode ser tudo o que a criança necessita para reencontrar o equilíbrio afectivo.

 
 

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