Nascimento Psicológico

Sendo certo que todos falamos e sabemos bastante sobre o nascimento, principalmente dos bebés humanos, muitos desconhecem que esse acontecimento a que chamamos parto, é um nascimento apenas físico e que o nascimento psicológico não é coincidente com o nascimento físico.

Se o feto passa cerca de 9 meses dentro do ventre materno e se torna independente fisicamente após o parto, fase demarcada como o início da sua vida, apesar da vida já existir e pulsar antes, o nascimento psicológico ocorre fora do útero, no processo da interacção social.

De facto os bebés humanos são diferentes da maioria dos mamíferos. São extremamente imaturos e dependentes e precisariam de mais cerca de 9 meses de gestação para nascerem com as mesmas características precoces dos outros primatas, nomeadamente o tamanho do cérebro, a calcificação e os níveis globais de desenvolvimento.
Quando nasce, o cérebro do bebé humano tem apenas um quarto do seu tamanho final, enquanto na maioria dos mamíferos o crescimento cerebral é um fenónemo exclusivamente fetal, o que poderá ser explicado em termos adaptativos pelo facto de ser incompativel um desenvolvimento mais avançado com a passagem no canal pélvico na altura do parto.

Assim o nascimento psicológico de um bebé dá-se fora do útero materno, no processo da interacção social com a Mãe, entendendo-se por “mãe” a pessoa ou pessoas que cuidam da criança de um modo contínuo e sistemático. A relação mãe/bebé é o protótipo de todos os relacionamentos sociais e, ao mesmo tempo, a semente do indivíduo. É a Mãe que acumula na sua individualidade a sua história pessoal, a estrutura e o funcionamento familiar, a classe social a que pertence, o seu grupo cultural e, em última análise a história de toda a humanidade e é ela que transmite ao bebé o universo onde este está inserido.
O nascimento psicológico é o produto de uma relação e o fruto de uma conquista. Há um inter-relacionamento onde dois seres interferem e modificam-se mutuamente: o bebé condiciona a mãe tanto quanto esta o faz, embora em níveis e modos bastante diferentes.
Enquanto a "gestação psicológica" é fruto da presença materna, o "parto psicológico" é fruto da ausência da mãe. O nascimento psicológico ocorre porque, entre a sensação de necessidade e o seu desaparecimento através da satisfação, há demoras. Estas demoras – a falta – desempenham um papel fundamental no desenvolvimento adaptativo. É a angústia perante a ausência da mãe que faz com que o bebé a recrie na sua mente e a represente mentalmente, mesmo na sua ausência, tomando consciência que afinal ele existe fora do corpo da mãe.
Nascer para os bebés humanos no seu todo, fisíca e psicologicamente, revela-se-nos como um processo mais longo, de troca de experiências, de troca de olhares, de comunhão de almas, onde o desejo e o amor incondicional, ficam impregnados nos genes do bebés e condicionam o seu comportamento ao longo das suas vidas.
Ame e Mime o seu Bebé, dentro e fora do útero!!

Especialistas do Portal dobebe.com
Ana Magalhães, pela Oficina de Psicologia

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