Parto humanizado

Todos sabemos que “antigamente” os partos eram todos feitos em casa, contando para tal com a ajuda da parteira ou médico local. Também era frequente que algumas mulheres (doulas) fossem para casa da parturiente, tanto para auxiliar no parto, como para ajudar a mãe no pós-parto.

À medida que os países se foram desenvolvendo e o parto deixou de ser encarado como um evento natural para passar a ser um procedimento medicamente controlado, os nascimentos foram transferidos para os hospitais.
Ao mesmo tempo, grande parte da componente humana do parto foi simplesmente eliminada. A dor passou a ser aliviada farmacologicamente e as mulheres foram sendo deixadas sozinhas em trabalho de parto por longos períodos de tempo.

Os médicos passaram a ser os principais protagonistas do parto, sendo que muitos dos procedimentos foram tornados rotina tendo como principal objectivo facilitar o trabalho do médico.
O exemplo mais flagrante é a posição do parto. Actualmente sabemos que a posição supina (mulher deitada de costas com as pernas presas em estribos) apenas dificulta a fase da expulsão, além de causar mais sofrimento à mulher e uma oxigenção mais deficiente ao bebé. Continua a usar-se apenas porque o ângulo de visão para o médico é melhor.

Hoje em dia existe um movimento mundial que reclama o regresso dessa componente humana, tão importante para a satisfação e conforto da mulher no parto.
Como tal, muitos hospitais pelo mundo fora foram-se adaptando a esta demanda. Criaram-se salas de parto com um ambiente mais acolhedor, permitiu-se que os pais e as doulas estivessem presentes durante todo o trabalho de parto e parto, criaram-se condições para a aplicação de métodos não farmacológicos para o alívio da dor, respeitando ao mesmo tempo as recomendações da Organização Mundial de Saúde.

Este movimento, chamado de humanização do parto, não significa mais do que devolver o protagonismo à mulher nesse momento de crucial importância na vida de todos nós. Respeitar os seus desejos, as suas necessidades físicas, psicológicas, sociais e espirituais, proporcionar-lhe conforto, privacidade e carinho. Encarar o parto como um evento fisiológico e não como um acto médico.

Humanizar passa ainda por proporcionar apoio à mulher, não só no parto mas também durante a gravidez e no pós-parto.

Em Portugal estamos ainda na fase emergente deste movimento. Existe um longo caminho a percorrer mas já contamos com muitas pessoas a lutar diariamente para que esta seja uma realidade possível para todas as mulheres.

Para saber mais sobre este tema:
http://www.humpar.org/
http://www.amigasdoparto.com.br

Sofia Carvalho
Mãe, Doula, Educadora Perinatal e
Conselheira em Aleitamento Materno.
Especialista doBebe.com

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